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Tire suas dúvidas

Angiologia e Cirurgia Vascular
Muitas pessoas, por falta de conhecimento, acreditam que a atuação do  cirurgião vascular e  angiologista   está restrita ao tratamento de varizes. No entanto, diversas moléstias atingem o sistema vascular, encarregado de distribuir o sangue pelo corpo humano. O cirurgião vascular e  angiologista é o médico especialista, que tem como objetivo manter a integridade de artérias, veias e vasos linfáticos, prevenindo e tratando as doenças vasculares.


Veias, Vasos e Artérias, onde está a diferença?
Em nosso organismo possuímos três tipos de circulação: a arterial, que leva o sangue do coração ao resto do corpo; a venosa, que é responsável pela drenagem do sangue das extremidades do corpo para o coração; e a linfática, cuja função é drenar o interstício. Algumas tarefas e características diferenciam estas áreas do sistema vascular.

  • Artérias: São responsáveis pelo transporte do sangue oxigenado aos tecidos e por trabalharem próximo ao coração são constituídas de uma espessa camada muscular capaz de suportar grandes pressões.
  • Veias: Têm a função de trazer o sangue da periferia para o coração, atuam com pressões baixas ou negativas, por isso, possuem paredes mais finas.
  • Vasos Linfáticos: Transportam a linfa até a veia subclávia esquerda destinando este líquido para a circulação sistêmica. Alterações nestas estruturas podem ocasionar graves edemas.
  • Varizes: As varizes são o resultado da dilatação das veias superficiais. Se dividem em primárias e secundárias ocorrendo com maior freqüência nos membros inferiores. São sempre visíveis e às vezes palpáveis.

As varizes secundárias são as que possuem um nítido fator causal, sendo mais comuns aquelas que surgem após uma tromboflebite - doença venosa que consiste no entupimento e inflamação da veia. As tromboflebites são muito graves porque podem levar à embolia pulmonar - deslocamento de um coágulo para os pulmões -, o que pode causar a morte.

O paciente que tiver uma tromboflebite e não fizer o tratamento adequado irá desenvolver, com o passar do tempo, a síndrome pós-flébitica que tem na úlcera de perna uma de suas mais graves manifestações. Já as varizes primárias não apresentam uma causa evidente.

As principais queixas clínicas dos pacientes são: dor, sensação das pernas estarem pesadas e inchaço dos membros. Para sanar estes problemas ocasionados pelas varizes o paciente precisa ir além do uso dos medicamentos ou da cirurgia.

Para não sofrer com varizes é recomendável seguir estas dicas:

  • Evite ganhos exacerbados de peso.
  • Mantenha uma dieta rica em fibras para evitar a constipação intestinal.
  • Procure não permanecer muito tempo parado em pé ou sentado
  • Não use cintas abdominais apertadas.
  • Realize caminhadas e/ou exercícios físicos com supervisão médica.
  • Não fume!
  • Utilize sistematicamente meias elásticas, principalmente durante a gravidez
  • Evite hormônios anticoncepcionais
  • Consulte regularmente seu cirurgião vascular ou angiologista

Não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação de varizes e depilação ou uso de salto alto, assim como não há influência relativa a carregar peso. Atletas, remadores, halterofilistas e fisiculturistas têm maior predisposição para ocorrência de tal enfermidade, pois nesses exercícios exige-se grande aumento da pressão intra-abdominal.


Grupo de risco
As mulheres têm 2,3 vezes mais chances de serem acometidas por varizes do que os homens. Durante a gravidez o aumento dos hormônios femininos e a compressão das veias pelo útero estimulam o surgimento de varizes. A propensão para desenvolver a doença aumenta se houverem portadores na família ou se, ao exercer a profissão, o indivíduo ficar por muito tempo de pé. Obesidade, prisão de ventre, uso constante de pílula anticoncepcional e problemas ortopédicos também favorecem o surgimento da doença.


Erisipelas e Linfagites
A erisipela é um processo infeccioso da camada da pele, causado pela bactéria estreptococo, que agride os vasos linfáticos. Tem sinais clínicos locais, como vermelhidão, inchaço e calor, e sintomas clínicos gerais, tais como calafrios, febre alta e mal-estar entre outros. Algumas vezes apresenta a formação de bolhas e rachaduras da pele com perda da linfa (liquido que circula nos vasos linfáticos). Em geral, a bactéria entra no organismo através de uma micose ou de pequenos ferimentos na pele.

A linfangite é o processo inflamatório dos vasos linfáticos, podendo ter origem bacteriana, por micose ou ferimentos na pele, viral, fúngica ou parasitária por leishmaniose, filariose, toxoplasmose e oncocerose. Os sintomas mais comuns são a presença de estrias avermelhadas, quentes e longitudinais na perna, estendendo-se desde a lesão cutânea até a virilha, o que corresponde ao trajeto dos vasos linfáticos, calor, dor local, íngua, febre e inchaço.

Erisipelas e linfangites devem ser tratadas de maneira intensiva ou um linfedema (elefantíase) poderá se instalar no organismo atingindo, muitas vezes, proporções dramáticas e levando a danos irreversíveis.

Para evitar erisipelas e linfangites é necessário combater as micoses, ter cuidados especiais na higiene dos pés, tratar os pequenos traumatismos ou arranhões e as infecções de pele.


Arteriosclerose
A arteriosclerose, termo genérico para o espessamento e endurecimento da parede arterial, é a principal causa de morte no mundo ocidental. Um tipo de arteriosclerose é a aterosclerose, doença que atinge artérias de grande e médio calibre, como as coronárias, as carótidas e as artérias dos membros inferiores.

Esta doença é caracterizada pelo depósito de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, reduzindo seu calibre e trazendo um déficit sangüíneo aos tecidos irrigados por elas. Atinge cerca de 10% da população acima de 50 anos. Seu desenvolvimento é lento e progressivo, e é necessário haver uma obstrução arterial significativa, aproximadamente 75% do calibre de uma artéria, para que surjam os primeiros sintomas isquêmicos (sintomas derivados da falta de sangue).

É de suma importância diagnosticar precocemente a doença para impedir suas manifestações. Estudos epidemiológicos mostraram que a arteriosclerose incide com maior freqüência e intensidade em homens, na faixa etária entre 50 e 70 anos, com altos índices de gordura no sangue, fumantes, hipertensos, de vida sedentária com casos da doença na família.

A arteriosclerose é uma doença sistêmica, acomete simultaneamente diversas artérias do organismo e seu quadro clínico irá variar de acordo com a artéria que estiver mais obstruída.

Os tratamentos variam de acordo com a fase evolutiva da arteriosclerose e do órgão afetado pela doença, mas todos atuam no controle da hiperlipidemia, do tabagismo, da hipertensão, do diabetes e da obesidade.

A arteriosclerose pode ser evitada através de hábitos saudáveis: uma dieta alimentar equilibrada, não fumando e com a prática regular de exercícios físicos.

Fatores de Risco

  • Idade: 50 a 70 anos
  • Sexo: Predominante no sexo masculino, pois as mulheres são “protegidas” desviando suas gorduras sanguíneas para a produção de hormônio feminino (estrogênio). Após menopausa a “proteção” desaparece.
  • Hiperlipidemia: Indivíduos que tem altos níveis de gorduras circulantes no sangue, sendo o colesterol a principal delas, depositam este excesso nas artérias, obstruindo-as progressivamente.
  • Tabagismo: As pessoas que fumam tem um risco nove vezes maior de desenvolver a arteriosclerose que a população não fumante.
  • Hipertensão: A hipertensão arterial provoca alterações na superfície interna das artérias facilitando a penetração das gorduras na parede arterial.
  • Sedentarismo: A atividade física diminui os níveis de colesterol e favorece a circulação.
  • História Familiar: Há famílias que, por diversos desvios metabólicos, estão mais sujeitas a estas doenças.
     

Arteriosclerose dos Membros inferiores
É uma doença que acomete a parede das artérias. É sistêmica, ou seja, pode ocorrer em todas as artérias do corpo, principalmente nas do cérebro, coração e membros inferiores. Nestes, o principal sintoma é a dor, especialmente na panturrilha, durante o caminhar. Isto ocorre após o percurso de distâncias variáveis (longas ou muito curtas) e está relacionada diretamente com o grau de entupimento das artérias.

Em muitos casos, este quadro leva a uma incapacitação para o trabalho. O tratamento varia de acordo com a gravidade de cada caso. Em situações mais controladas os cuidados clínicos são basicamente exercícios físicos e controle dos fatores de risco como o hábito de fumar, além do possível uso de medicamentos vasodilatadores e de coagulação. Em casos mais graves o mais adequado é o tratamento cirúrgico.


Arteriosclerose e diabetes
A arteriosclerose se instala rapidamente em indivíduos diabéticos que não controlam sua glicemia adequadamente, pois esta é a principal causa das compli-cações do diabetes, que incluem a neuropatia, a arteriopatia e a infecção. Essas complicações do diabetes acometem com muita freqüência os pés; por isso se cunhou o termo "Pé Diabético". Após uma série de estudos foi constatado que a arteriopatia é geralmente distal, isto é, atinge as artérias abaixo do joelho, ocorrendo também nos capilares (os pequenos vasos da micro-circulação); a neuropatia provoca a redução da dor e sensibilidade nos pés, levando o paciente a ignorar dores e até feridas; e a infecção é o fator que leva, em questão de horas ou dias, à destruição dos tecidos. O tratamento da vasculopatia inclui o uso de medica-mentos, que irão dilatar os vasos ou tentar desobstruí-los.

Outros produtos agem evitando a coagulação do sangue ou a adesão das plaquetas - células que iniciam a trombose. Nem sempre o tratamento clínico é suficiente e, em alguns casos, pode-se optar pela cirurgia, através de pontes, como a de safena. Quando já existe necrose, o cirurgião vascular realizará uma drenagem cirúrgica retirando a parte do tecido morto. Quando está área é muito extensa (gangrena) o cirurgião realiza uma amputação. Algumas vezes esta solução extrema é o único recurso para salvar a vida do paciente, uma vez que a gangrena pode levar ao óbito. O controle rigoroso da glicemia é essencial para evitar o “pé diabético”.

O auto-exame é a melhor forma de prevenção, por isso, seguem algumas recomendações:

  • Examine, todos os dias, os seus pés. Verifique se existem bolhas, calos, úlceras, edemas, micose entre os dedos ou infecções.
  • Examine e passe as mãos dentro de seus sapatos. Não use o calçado antes de examiná-lo com as mãos. Não use sapatos apertados e nunca ande descalço.
  • Lave bem e diariamente os pés, usando água morna. Use sabão neutro. Enxágüe bem os pés e entre os dedos.
  • Andar é o melhor exercício para a circulação. Ande pausadamente e de forma regular. Alguns quarteirões por dia são suficientes. Consulte seu médico.
  • Abandone o cigarro para preservar a sua circulação.
  • Corte as unhas com cuidado, evitando machucar a pele. Não retire a "cutícula", ela protege sua unha. Não permita que extraiam sua unha sem um exame médico prévio.
  • Nos dias frios, proteja os pés usando meias de lã ou algodão, bem folgadas. Nunca use nada que aperte seus pés e possa prejudicar o fluxo sangüíneo.
  • Nunca confie na sua sensibilidade térmica ou dolorosa. Evite os excessos de calor e frio. O fato de você sentir que seu pé está frio não significa que esteja. Nunca aplique saco de água quente nos pés.
  • Nunca use remédios ou produtos químicos nos pés sem consultar um especialista. Devido ao diabetes, produtos corriqueiros podem ser danosos para sua pele.

Doença Cerebrovascular e Extracraneana
Derrame Cerebral: A insuficiência cerebrovascular é o resultado de dois mecanismos: (1) embolização (migração à distância) para dentro do cérebro de fragmentos de trombos ou da placa aterosclerótica ou (2) redução no fluxo sanguíneo cerebral.

A arteriosclerose é a mais importante e mais freqüente causa da isquemia cerebral porque leva a um estreitamento lento e progressivo da artéria carótida. Os sintomas mais citados pelos pacientes são: adormecimento ou formigamento, diminuição ou ausência de sensibilidade, paralisia ou fraqueza nos membros e cegueira unilateral.

Em caso de suspeita de isquemia cerebral o paciente deve ser submetido a exame clínico geral, exame neurológico e exame vascular. Em seguida é necessário fazer exames complementares específicos, tais como: eletroencefalograma, tomografia computa-dorizada, ultra-sonografia das artérias carótidas e arteriografia. Com a confirmação diagnóstica, é possível aumentar o fluxo sanguíneo cerebral ou remover as placas ateroscleróticas - fontes de êmbolos - através de métodos cirúrgicos, antes que ocorra o derrame cerebral.

“O acidente vascular encefálico (AVE), também chamado de derrame cerebral, ocupa o terceiro lugar como causa de morte nos EUA, sendo ultrapassado apenas pela doença cardíaca e pelo câncer.”


Aneurisma Arterial
É a dilatação anormal e permanente de um determinado segmento de artérias, causada pelo enfraquecimento ou defeito estrutural da parede arterial. Uma vez enfraquecida, a parede arterial cede à pressão do sangue e se dilata. Essa dilatação aumenta cada vez mais, progredindo para a rotura da artéria que pode culminar com o óbito do paciente.

A arteriosclerose é a principal causa dos aneurismas, que podem ocorrer em diferentes partes do corpo. O AAA - aneurisma da aorta abdominal -, é o mais preocupante por ser muito freqüente e assintomático. Por isso, recomenda-se o check up periódico após os quarenta anos de idade e nos casos de predisposição à doença como: histórico familiar, aterosclerose, obesidade, sedentarismo, fumo, estresse, hipertensão arterial, diabetes e alterações no lipidograma.

A ruptura e a trombose são as mais graves complicações do AAA. A ruptura do AAA é considerada uma emergência de altíssimo risco, mas pode ser evitada por meio do diagnóstico e cirurgia precoces.


Trombose Venosa Profunda
TVPA TVP é causada pela coagulação do sangue no interior das veias em um local ou momento inadequado. São condições predisponentes para o surgimento da doença o uso de anticoncepcional ou tratamento hormonal, tabagismo, presença de varizes, insuficiência cardíaca, tumores malignos, obesidade ou a história prévia de trombose venosa. Os sintomas mais comuns são inchaço e dor.

A TVP é uma doença com alta incidência em pacientes hospitalizados. Pode atingir até 30% dos pacientes de cirurgia geral quando não se faz prevenção (70% nas cirurgias ortopédicas, 40% dos pacientes enfartados, 70% dos pacientes com insuficiência cardíaca grave e 75% dos pacientes com acidente vascular cerebral). Quando há prevenção a TVP é reduzida em 2/3 e os casos de embolia pulmonar diminuem cerca de 1/3.


Vasculite
É caracterizada por inflamação ou necrose da parede do vaso sanguíneo com manifestações clínicas variadas. As vasculites podem ser causadas por agentes infecciosos (bactérias, protozoários, vírus), drogas como penicilina, quinina, antibióticos; drogas ilícitas (heroína, cocaína); reações imunológicas ou mecanismos desconhecidos. Apresenta sintomas variados, pode causar febre, perda do apetite, fadiga, mal-estar, suores noturnos, hipotensão, dores fortes nas articulações ou nos músculos, lesões na pele e úlcera cutânea, entre outros.


Trauma Vascular
O trauma vascular é a destruição dos vasos sanguíneos que nutrem importantes áreas do organismo. Pode ser causado por acidente automobilístico, projétil de arma de fogo ou arma branca. É a segunda causa de morte no mundo e a primeira entre a faixa etária até os 40 anos.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - www.sbacv-nac.org.br

 
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